Há algum tempo venho trabalhando na construção do enredo de um romance que estou prestes a começar a escrever, cujo tema principal é a questão da imortalidade. Não uma imortalidade divina, milagrosa, santa, mas uma imortalidade cientificamente possÃvel e experimentada.
Por isso ultimamente tenho pesquisado muito a respeito em busca de inspiração, e por acaso acabei encontrando um filme interessantÃssimo e um tanto controverso, Experimentos na Ressuscitação de Organismos (Experiments in the Revival of Organisms). Trata-se de um filme da década de 40 no qual é mostrada uma experiência em que a cabeça de um cão foi mantida “viva” depois de ter sido removida de seu corpo. Bizarro.
Como muitos outros fatos da ciência, há quem duvide da veracidade da experiência. De repente, pode até ser que ela tenha sido mesmo uma fraude, mas eu não duvido que uma experiência do tipo, tendo ou não já sido feita, seja possÃvel.
E por quê? Porque eu creio fielmente que nós, seres vivos, somos uma complexa máquina orgânica. Uma máquina que se desenvolveu naturalmente, mas que pode ser perfeitamente manipulada, modificada e alterada de forma artificial. E se naturalmente somos uma máquina projetada para um dia morrer, o que impede de, artificialmente, nos tornarmos uma máquina imortal? Ao meu ver, nada.
Imagino que num futuro não muito distante a “ressureição em massa”, ou, melhor ainda, a imortalidade como uma caracterÃstica nata do ser vivo desde o momento de seu nascimento, seja algo que já esteja sob o completo domÃnio da ciência, e que isto também será o grande paradigma de gerações que ainda estão por vir. Afinal, imagine como seria um mundo em que ninguém morresse, quando atualmente a nossa existência e muito do que fazemos e cremos está pautado na idéia da morte. Imagine todas as questões polÃticas, sociais e existenciais envolvidas nisso. Muitos de nossos hábitos, costumes e convicções, sem a morte, não fariam mais o menor sentido.



